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Archive for junho \16\UTC 2010

Tô voltando!

É isso aí gente, nesses ultimos dias o tempo desapareceu e postar novidades no blog ficou dificil. Hoje iniciei meu retorno ao Brasil, estou em Hong Kong aproveitando um day-off de presente.

Embarco nas próximas horas, passo por Paris e chego no Brasil na quinta feira, cheia de novidades, com um certo excesso de bagagem e muitas histórias para contar, louca para dar os incontáveis abraços nas pessoas que amo.

Até daqui a pouco…

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Aniver na China!

Fazer aniversário na China foi um tanto… diferente… e comprido. Como a China está 11 horas na frente do fuso do Brasil, eu comecei a fazer aniversário 11 horas antes (dia 10 no Brasil) e, hoje, que já é dia 12 aqui na China, continuo fazendo aniversário (dia 11 no Brasil). Ontem não hesitei em comprar um bolo, achei interessante quando na confeitaria também me ofereceram um kit com: garfos, pratinhos de papel, espátula e… umas 15 velinhas. Pela primeira vez ganhei feliz aniversário em Chinês, com direito a “parabéns a você”, identificado somente pela melodia, pois a língua ainda continua super impossível de ser compreendida pela minha pessoa. E foi inesquecível, claro.

Para esclarecimentos gerais, sim, os chineses não conseguem falar o “R”. Então claro que eu tinha que aproveitar o momento para ensinar para um dos chineses algo super importante em português, que pronunciado pelo chinês virou: “Um tigle, Dois tigles, tlês tigles tlistes”! Apesar de não falar o R, ele aprendeu super rápido e não esqueceu mais. Dias depois, quando estava me contando sobre o que tinha acontecido (suicídios) na Foxconn (fábrica dos produtos da Apple), só teceu um comentário: “Tliste”.

Hoje viajo para Guangzhou para mais 02 inspeções de produtos. Uma cidade que ainda não conheço, mas já ouvi muitos comentários “o céu lá é pior que o daqui”. Se aqui em Shenzhen vi o sol umas 02 vezes, lá deve se ver mais raro, talvez 01 vez por mês. Será que vai ser meu dia de sorte?

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Turnê

Expo Shanghai

Foram 4 dias de andança: Xiamen, Ningbo, Shanghai e finalmente de volta a Shenzhen.

Xiamen foi rapidinho, visita a fornecedor e à noite encontrei a noivinha chinesa. Mais tarde, voltei na entrada do hotel para ver o status do casamento, não havia mais sinais.

Nosso colega chinês explicou que quando o casamento é arranjado, a guria e o guri são introduzidos pelos pais e a partir de então vão se conhecendo. Eu perguntei e se eles não se gostarem? “Se não gostar, então não precisa casar”. Ele já namora há quase 10 anos. Nesse caso, ele gostou.

Em todos os lugares, preciso pedir comida sem pimenta, ou não consigo terminar a refeição. Até KFC tem os lanches super apimentados. Descobri que de fato pedir coca cola é uma missão quase impossível. A primeira vez, o garçom saiu para comprar em um bar próximo, na segunda não tinha. Ponto. Tenho que tomar chá, muitas vezes com gosto apenas de água quente, ou morna. Você nem precisa pedir, eles já te servem a bebida mais popular por aqui.

Em Ningbo fizemos inspeção de alguns produtos. Depois almoço com fornecedor. É uma forma de status, não sei, mas as refeições com fornecedores são sempre gigantes, todos os pratos pedidos por ele.

Nessa de comer e comer, no domingo acabei sofrendo o mal da China, uma hora todas aquelas comidas não iriam fazer bem. Ao menos, só fiquei mal a noite, tinha aproveitado o dia visitando a Expo Shangai. Achei que na Expo iríamos encontrar produtos, fornecedores, inovação, afinal era uma feira de “sustentabilidade”. No Stand do Brasil, telas enormes passando jogos de futebol.

Ok.

Depois não sabemos por que motivo nosso país é apenas conhecido pelo carnaval e futebol,  acho que o Brasil só faz questão de mostrar isso lá fora. Ah, para não mentir, num cantinho do Stand tinha uma plaquinha da Vale (do Rio Doce). O stand da China, claro, era o maior e mais imperial. Construção belíssima e bem arrojada – passeando por ele, me sentia na Disney.

100 andares

Descobri uma China de contrastes, pude ver um pouco de pobreza. De Ningbo para Shangai, fomos de trem. Fico indignada ao lembrar que no Brasil temos que ir de ônibus, avião ou dirigir em estradas horríveis para chegar em qualquer lugar. Eu, que moro a 600km da minha família sei bem o que é isso. O trem alcança uma velocidade agradável de 180km/h. Chegamos ao destino em 3h. O trem é bonito, por dentro lembra um avião, com poltronas quase que confortáveis. Pela janela, dá para ver um pouco do interior: muitos condomínios com inúmeras casas ou prédios, mini terrenos que parecem ser muito pobres, com mini casas e mini plantações de muitas coisas: arroz, verduras, parreiras, e mini pessoas trabalhando nelas, rs. Isso porque me sinto uma gigante aqui, todo mundo está na altura do meu peito. Quase não nem arrisco a entrar nas lojas de roupa, com medo que tudo fique muito pequeno. Mesmo assim, encontro uma promoção de casacos (70%!) e insisto em comprá-los.

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Xiamen

Boneca de porcelana

Dia corrido.
Inspeção na fábrica, viagem para Xiamen, visita a fornecedor, janta a la chinesa, hotel.

Achei que a fábrica me impressionaria mais. Talvez porque fosse pequena, poucos trabalhadores. Mas aquela funcionava assim: parecia um condomínio, muitos prédios, padronizados. Em cada andar, uma, duas ou três mini fábricas. As condições são poucas, mas não são horríveis. Terminamos a inspeção na hora do almoço e, esperando o taxi, milhares de pessoas passavam por nós, saindo para almoço. Aí sim fiquei surpresa. Não sei de onde surgiu aquele batalhão de pessoas.

No jantar, pedimos coca. Absolutamente normal. O restaurante não tinha e um garçom saiu correndo para comprar no bar ao lado. Ficamos muito agradecidos, mesmo sem saber da operação “procurando coca”.

Chegando no hotel na nova cidade, também cinza, uma noivinha linda esperando na porta. Não pude resistir e tirei uma foto com ela, linda. Literalmente, boneca de porcelana. As bochechas vermelhas iluminavam seus olhos de princesa. Não sei se o casamento era arranjado ou não. Ainda acontece isso por aqui. Não perguntei mais nada, já era demais ter conseguido a foto.

Alguém mais está pela China: Rakel e Rodolfo, meus amigos de Porto Alegre. Troquei alguns e-mails, eles estão fazendo uma viagem completamente espetacular pelo mundo. Vale a pena conferir http://www.raroway.com .

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Andanças

Cadê o céu azul?

No 5º dia, o corpo já se acostumou com o fuso horário e tudo parece mais fácil. Exceto, quando se está com o joelho ralado.

Tombo.

Caí de quatro no meio da chuva, dentro do condomínio no caminho de casa. Resultado: 2 joelhos cobertos por hematomas roxos. Não tinha gelo em casa, a opção foi o bacon congelado.

Visitei um fornecedor e fiquei impressionada com o tamanho do show room. Não costumo fazer essas visitas no Brasil, então não tenho parâmetro. Ainda assim não deixei de ficar boba com TANTAS cores, formas, modelos. Pareciam um jardim, de tanta variedade.

A brasileira que estava aqui já foi embora, porém me deixou dicas valiosas. Ando sempre com um lenço de papel na mão, serve como guardanapo para restaurantes (quando eles oferecem, a maioria é uma espécie de lenço umedecido e você tem que pagar por eles) e papel higiênico em banheiros – até agora todos estavam bem equipados.

O almoço foi Tailandês. Eu sei, esse blog já está quase virando um hall gastronômico, e eu, uma bola, rs, mas não posso deixar de experimentar nada. Muito gostoso, meu prato era arroz coberto de frutos do mar, cenoura e batata com um molho regado de curry. Uma bela porção amarela saborosa e muito bem aquecida. Mais uma vez, o guardanapo umedecido embrulhado foi trocado pelo lenço de papel tirado da bolsa. Uma prática que seria engraçada no Brasil. A tarde comprei picolé, “Magnum” estava escrito na embalagem – assim foi fácil escolher.

Ao sair de casa, doces crianças prendem meu olhar. Vejo pela grade tomada de folhagens, um grupo escolar de 5 anos de idade, em fila, esperando sua vez de ir brincar na pracinha. Os seus olhos, fixos nos brinquedos, são barrados pela imposição da ordem. Aguardam o outro grupo animado liberar espaço para eles. Ordem assim não vejo no Brasil. Mais tarde, numa praça próxima ao escritório, um grupo de bombeiros faz treinamento para incêndio. Enquanto um deles cumpre a atividade de demonstração, os outros observam em posição de “estátua”. Aprenderam muito bem a cumprir regras na escola, e agora demonstram concentração e ordem com facilidade. A paralisação é quebrada quando me aproximo para bater fotos e depois, passo por detrás deles para não atrapalhar a atividade. Sem sucesso, pois todas as cabeças, em igual compasso, giram no mesmo movimento do meu caminho. Devo ter ficado no mínimo vermelha.

Amanhã viajo a Xiamen, depois Ningbo e Shanghai. Visito 2 fornecedores e acompanho uma inspeção pré-embarque. Fiquei surpresa ao saber que neste sábado a banda NENHUM DE NÓS fará show em Shanghai!! Tudo bem que já fui ao show deles no RS, mas não poderia haver melhor coincidência. Não poderei ir no show, devido aos compromissos de trabalho, mas fico e feliz e orgulhosa: uma banda gaúcha embalando o agito de uma feira na China.

“Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer morar comigo?
Vento solar, estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo”

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Gaúcha globalizada

Um china lá de Uruguaiana... Eita!

Essa noite foi mais tranquila, conseguí dormir até às 7 da manhã. Ainda sobrou tempinho para escrever.

Ontem foi corrido, e as refeições também foram constantes e diversas!
Pra ir em tanto restaurante, foram 3 andadas de taxi. Já tinha lido sobre o trânsito na China, mas nada como estar nele. Foram mais de 5 sustos, daqueles de quase gritar e suspirar fundo. No Brasil, parte-se do princípio que o trânsito é uma passagem de carros, ordenada e organizada. Tudo bem que em alguns lugares para andar na rua é um caos, mas… nada se compara a China!!!! É carro vindo de todos os lados, cruzando na frente, atrás, fazendo retornos, biclicletas motorizadas buzinando a todo momento, na rua ou na calçada. Não há regras. E dá-lhe sustos!!

O almoço foi no restaurante “GAÚCHO”, dá para acreditar? Muito bem, lá dava para saborear picanha (muito boa, por sinal!), filé, ovelha, porco……. CAMELO (!) e camarão enrolado com bacon! Esses últimos espetos ficaram por conta e risco do assador, hehe. Mas eu experimentei, carne de camelo era bem gostosa, sabor bem acentuado, um tanto forte. No telão, tocava o dvd do Tchan, lembram??? (a nova loira do tchan é linda, deixa ela entrar, e assim por diante). Não ajudou muito a fazer a digestão, hehe. De sobremesa, o bom sempre adorado pudim. Não tão doce, mas bem gostosinho. Os garçons estavam o máximo. Todos a caráter – pilchados. Quase fiquei por ali procurando meu vestido de prenda. Uma suspresa e tanto ir num restaurante desses na China.

A noite, uma nova surpresa. Uma refeição para ser saboreada sem pensar muito como se está comendo. No centro da mesa, uma grande cumbuca de ferro, no formato do símbolo ying yang, com um líquido quente, como se fosse uma sopa dentro. Pede-se as comidas (pedido sempre feito pelos nossos colegas de escritório chineses) e, assim que chegam (carnes, batatas, alface!, espinafre!!, bolinhos de carne, tofu), são colocados aos poucos dentro da sopa. Qualquer um pode pegar a comida (com o seu hashi) e colocar dentro daquela sopa. Essa é a parte disgusting. Você come com o hashi, põe comida crua na sopa com o hashi, pega a comida pronta com o hashi. Diversificação das babas. Parei pra pensar, e fazemos mais ou menos isso em Gramado, comendo fondue de chocolate. Foi a maneira de conseguir encarar a janta.

Passado isso voltamos a pé, e novas aventuras na rua. Não fosse meus colegas por perto, teria sido atropelada por mais de uma daquelas bicicletas motorizadas.

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Flores de pano

Estou aqui a trabalho, cheguei no dia 30 e volto dia 16. Serão um pouco mais que duas semanas, a viagem é longa, demora 36 horas. Tenho facilidade em dormir, então aproveito os voos, sonhando literalmente alto, rs. Ainda assim parece que não descanso o suficiente, o corpo está cansado. Hoje já é dia 01, então, teoricamente, o meu cansaço – que dizem ser os 03 primeiros dias – irá durar até amanhã. Hoje novamente acordei às 5 da manhã. Aproveitei para fala com o pessoal da empresa, lá ainda era 18h e fazer o texto do blog.

A internet aqui funciona bem, porém alguns sites são simplesmente bloqueados. Facebook, blogs, etc. Meu blog inicial era da blogspot, mas não conseguí acesso aqui. Apelei para o wordpress, que de vez em quando também não abre. Assim, quem atualiza os posts é meu noivo, André, no Brasil. Mando os textos por email, que até agora tem funcionado bem, as fotos por msn e a atualização fica com ele. Não corro o risco de ser barrada pela censura chinesa. Também não os critico por isso, imagino como deve ser difícil alinhar um país desse tamanho e tão populoso.

A China é um país gostoso, embora me dê agonia a obrigação de me comunicar com sinais, corro o risco de não ser compreendida. Além disso, sentar numa mesa para jantar e não saber o que virá pela frente é um tanto desafiador. Pior é pegar aquela comida com o hashi, sem saber o gosto que te espera. Na mesa, entre os brasileiros, comentamos o que é bom ou ruim, em português. Para os chineses, só digo o que gostei e agradeço. É dispensável criticar o que não agradou ao paladar, frente a tão boa hospitalidade e receptividade.

Sim, a cidade é bonita. Os prédios são gigantes, altíssimos. Nas sacadas dos apartamentos, milhares de varais cheios de roupa colorida secando no mesmo ritmo, embalados pelo vento. Ao longo do dia, o clima, a paisagem e o céu permanecem iguais. Não há a beleza do nascer do sol, ou o adeus do sol se pondo. Simplesmente fica claro ou escuro. Ainda assim, a cidade é iluminada e cheia de vida. Nas ruas, as vezes descubro algumas flores de plástico. Não deixa de ser belo, é apenas triste pensar que elas ocupam o lugar das flores vivas e cheias de polén. Mas é exatamente isso que também fazemos ao derrubar as matas e construir nossas próprias casas. Falando nisso, já é hora de ir para o escritório, um prédio bonito, perto de casa.

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